domingo, 27 de janeiro de 2013

Contos de Rosario - A Criação - #2





A Criação

Primeiro o verde. Mas não um verde qualquer. Trata-se do verde que somente a grama sob a luz do sol tem. E se há um sol, há também os tons de amarelo e laranja que aquela imensa bola de fogo pinta no céu quando sua luz se encontra com as águas do mar. E se há um céu e um mar, também existem os azuis em tons que somente eles possuem.


Eu me encontro no centro do meu mundo. Com uma extensão de terra coberta de grama a minha direita e uma coberta por água a minha esquerda. Volto-me para a extensão com água e olho para o horizonte.  Ali esta a mais bela paisagem que já vi. Sinto a brisa. E nesse instante um pensamento me invade e um sentimento que conheço bem me consome. 

O céu encheu-se de nuvens cinzentas e um barulho estrondoso ecoou no céu. A paisagem antes linda ficou mórbida e triste. “De que vale tudo isso se ninguém além de mim pode ver esse sol, sentir essa terra e apreciar essa brisa?” Eu me sento na areia e fico apenas ouvindo os sons do meu mundo. De repente aquela voz dentro de mim falou novamente. Não sei quem ou o que é aquela voz nem tão pouco importa.Levantei-me e caminhei para a parte gramada do meu mundo. Enquanto eu caminhava o céu aos poucos se tornou limpo novamente. 

A brisa fresca voltara e eu sorri. Deixei que a inspiração tomasse o lugar daquele sentimento que a pouco me invadindo e continuei a caminhar. Parei quando do local onde me encontrava eu conseguia ver claramente a paisagem que tanto admirei. Ali eu pintei uma árvore enorme com um tronco grosso que exigia dez pessoas no mínimo para abraça-lo. Pintei seus galhos que subiam tão alto que pareciam tocar o céu. E as fiz de um verde que parecia reluzir.

Em volta daquela árvore pintei também um vilarejo. 


A esquerda da grande árvore eu pintei um mercado de onde os moradores do vilarejo tirariam seu sustento. À direita, eu pintei um castelo onde viveria o rei daquele povo. Afinal todo povo precisa de alguém que saiba tomar decisões que beneficiem a todos, ou pelo menos a grande maioria.
Mas ainda não é o momento certo de pintar o rei do meu mundo. Volto ao vilarejo. À Sul e a Norte da grande árvore eu pintei as casas que logo seriam habitadas pelos habitantes do meu mundo.
Parei e observei tudo que já havia criado. Mas ainda faltava algo. Faltava algo que fizesse aquele vilarejo único. Mais uma vez aquela voz se pronunciou dentro de mim. E tendo em mãos todas as cores existentes eu pintei em volta do vilarejo uma cerca viva de rosas que a princípio eram de um vermelho carmim belíssimo. Apenas a princípio.

Terminando de pintar o ponto singular do vilarejo voltei a grande árvore. Respirei fundo e comecei a pintar pessoas, animais e todo tipo de seres fantásticos que vinham a minha mente até que o vilarejo estivesse completo. Dei nomes que iam Arilem a Zéfila. Criei formas hibridas de tartarugas e cobras, lagartos e pássaros. E deixei que cada criatura escolhesse seu lugar, parceiro e habitat. Quando meu mundo parecia estar bem povoado comecei a caminhar entre todos aqueles seres que aos poucos estavam se encontrando e se habituando. Formaram-se famílias, vendedores, artesãos, poetas e claro formou-se um rei. Tudo estava se encaixando.

Observei mais uma vez meu mundo imaginário e percebi que ainda faltava algo.
Um pequeno, porem, importante detalhe que não poderia ser esquecido. Avistei a parte singular do vilarejo. A imensa cerca viva coberta de rosas vermelhas carmim. Corri para uma abertura na cerca que eu abri naquele momento e fechei logo em seguida. Na frente daquela abertura que só fora aberta uma vez até então, eu pintei uma placa de madeira na qual estava escrito apenas “Rosario”.  Eu olhei minha criação e sorri. Imaginei tudo que poderia acontecer naquele mundo que eu criei. E nesse momento o espaço que outrora foi tomado pela tristeza e depois deu lugar à inspiração, agora era preenchido pela alegria.




Licença Creative Commons
Contos de Rosario - A Criação - #2 de Brenda Santos é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Perssões além do escopo dessa licença podem estar disponível em http://edensaga.blogspot.com.br.

2 comentários:

  1. nome: felipe

    Yoo!

    ficou icrível, a forma com que descreve, é desenrolado numa criatividade explêndida e numa suavidade confortante... Gostei muito, é muito bom ler oque vc escreveu. Me fez bem, parabéns! ^^,

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Felipe. Fico feliz que o que eu escrevo te faça bem. Soube que escreves também. Quero ver seus textos publicados também. >< Abraço.

      Excluir

Postagens populares