quarta-feira, 11 de abril de 2012

Entrevista com Marcos Monjardim


Olá Pessoal!

Hoje trago pra vocês a entrevista que o blog realizou com o escritor Marcos Monjardim autor do livro Peregrino.
 
Marcos tem 32 anos e nasceu em Brasília DF, mas atualmente moram em Natal com sua mulher e um filho.
Formado em Psicologia pela UFRN, Marcos trabalha como auditor fiscal no estado da Paraíba.


 
Quando não está trabalhando ou escrevendo, gosta de ter sempre um bom livro para ler, jogar vídeo game ou assistir a um bom filme.

É dedicado a família e tem passados ótimos momentos com seu filho Heitor, nascido a pouco tempo.

Dentre suas leituras preferidas estão:
“As Brumas de Avalon” (Marion Zimmer Bradley), A Série “Darkover” (mesma autora), A Série “As Crônicas de Gelo e Fogo” (George R. Martin).

“– Estou terminando de ler: O Festim dos Corvos”, - Diz o escritor.

A literatura nacional também possui espaço reservado em sua estante. Alguns bons exemplos são: A Série “Dragões de Éter” (Raphael Draccon), “Os Sete” (André Vianco), “Sétimo” (André Vianco).


Primeira Parte: Peregrino

Blog: Olá Marcos! Algumas pessoas escrevem desde pequenas, outras encontram essa arte por acaso e com o tempo. Quando você decidiu que queria escrever?

Marcos: Eu gosto de escrever por lazer, desde o segundo grau (meados de 93, 94). Mas, comecei a escrever com a pretensão de ter uma história terminada em 2005 ou 2006, se não me falha a memória.

Blog: Vejo que Peregrino representa muito para você. O que o faz tão especial?

Marcos: Foi o primeiro livro que escrevi. O primeiro texto que tive a pretensão de dizer que estava escrevendo um livro. Mas, o mais importante é que pude fazer dele uma homenagem a um grande amigo que se foi quando tínhamos uns 7 anos. Ele morreu de câncer. Esse meu amigo chamava-se Thiers.

Blog: Foram quatro anos do surgimento das idéias até a publicação pela editora Multifoco. Conte-nos como foi essa experiência de escrevê-lo.

Marcos: Eu não cheguei a escrevê-lo de uma vez. Cheguei a passar mais de dois anos sem pegar no texto. Comecei a escrevê-lo em 2007 e em 2009 resolvi voltar a escrever e terminei em março de 2010. O mais interessante é que terminei meu segundo livro também em março (2012). Março está virando um marco para mim...
Comecei a escrever Peregrino sem pretensão de ter um livro escrito. Apenas havia imaginado uma história sobre um cerco a uma aldeia. Ao terminar de escrever a invasão a essa aldeia, senti a necessidade de falar sobre a história de dois personagens envolvidos nesse cerco: Thiers e Enoque. Surgiu então a Huega, os clãs e toda a cultura dos baharans. Um capítulo levou a outro e mais outro. Fui escrevendo pelo prazer de criar, admirado em construir cada personagem e como ele se inseria na história. O mais gostoso de tudo é imaginar como vivia determinado povo, suas crenças e sua forma de viver.
Aos poucos, os personagens e a história vão ganhando vida.

Blog: O que você sentiu quando você viu pela primeira vez o exemplar finalizado?

Marcos: Não senti nada ao terminá-lo. Para falar a verdade estava mentalmente cansado. Minha maior preocupação era de finalizar o livro de forma convincente sem haver um final abrupto. Queria também terminá-lo dando a possibilidade de tanto ser apenas um volume como também de haver uma continuação. Essa preocupação me deixou extenuado e não consegui ter a sensação de “acabei um livro”. Mas, após imprimi-lo e encaderná-lo para poder enviar para a Biblioteca Nacional e conseguir registrá-lo, pude então ter a sensação de dever cumprido. É indescritível sentir o peso, olhar todas aquelas páginas... naquele momento o sonho virou concreto, palpável.

Blog: Você construiu personagens fortes e lugares maravilhosos. Onde buscava inspiração para criá-los?

Marcos: Não sei dizer. Ao criar um personagem eu procurava imaginar a forma como ele se comportava. Seus sentimentos, trejeitos... conseguia tê-los bem reais na minha cabeça. E isso ajudava a construir a história, por ter bem claro como cada personagem reagiria em dada situação. Acredito que ter personagens bem caracterizados é o mais importante ao escrever, espero que todos concordem com você, quanto a força dos personagens.
Em relação aos lugares, sou fã de Marion Zimmer Bradley, autora de “As Brumas de Avalon” e da série Darkover. Sempre admirei a sua capacidade descritiva. As vezes o frio que ela descrevia chegava quase a ser real e isso me dava uma experiência literária sem igual (como leitor). Quando eu descrevia um lugar, tentava poder transmitir ao meu leitor uma experiência parecida. Queria que ele pudesse “sentir” como eram quentes as areias do deserto de Aynol, assim como ficasse sem fôlego ao acompanhar o duelo de Asbed nas árvores.

Blog: Existem personagens em sua história que significam muito mais que apenas mais um personagem do livro. Fale um pouco sobre isso.

Marcos: Como disse anteriormente, o protagonista do livro se tornou uma homenagem ao meu amigo que se foi. Quando ele morreu, não pude ir ao seu enterro e na escola foi plantada uma árvore em sua homenagem: uma mangueira. Mas, me disseram que essa árvore, anos mais tarde, havia morrido. Quis então fazer a minha homenagem, através do livro, afinal, uma obra literária se eterniza... e ele não seria esquecido.
Ele era apaixonado por uma garota da escola chamada Marcelle Passarinho. A banda que ele mais gostava era o biquíni cavadão. Passei horas escrevendo Peregrino e ouvindo a essa banda. Em um capítulo, como homenagem, há uma passagem de uma das músicas: “Meu Reino”.
Minha maior satisfação foi ver o pai de Thiers no lançamento do meu livro. Fazia mais de quinze anos que não nos víamos.

Blog: O pós publicação e a nova vida como escritor, mudou sua forma de enxergar o mundo literário no Brasil?

Marcos: Sim. Lia sobre as dificuldades de escrever o livro e que era ainda mais difícil publicá-lo. Mas, acredito que mais difícil ainda é a divulgação do seu trabalho. Ainda mais se você publica de forma independente ou com uma pequena editora, como foi o meu caso. Todo esse trabalho fica sendo exclusivamente do autor. Sem experiência, você vai trilhando o caminho através de erros e acertos. Tive muita sorte de poder contar com os conselhos de autores como Raphael Draccon e Larissa Siriani que dividiram um pouco de sua experiência. Não tem como esquecer os blogs literários. Sem eles, muito provavelmente, Peregrino não teria a metade da visibilidade que teve. Principalmente os três primeiros que tive contato: “Mania de Ler”, “Viagem Literária” e “Li Um Livro”.

Blog: Como é a relação com os leitores da obra? Você recebe muitos feedbacks?

Marcos: Tenho tido sim, mas sempre tenho necessidade de mais. A maioria das críticas tem me ajudado na preparação dessa segunda edição. Querem que fale mais sobre o romance de Thiers e Marcelle, sobre a infância de Nathalie e sobre os famigerados erros de revisão que, infelizmente, a editora não fez (revisão) apesar de ter prometido. Erros bestas que um mínimo de cuidado por parte dela teria evitado, e que quando se está escrevendo, de tanto ler, reler e modificar o texto, você acaba não vendo.
Até hoje não recebi nenhum retorno de pessoa que não tenha gostado do livro. Já tiveram pessoas que acharam a história surpreendente e que não conseguiram imaginar o final, que tiveram vontade de matar Enoque, que adoraram o Jonas e que se emocionaram com a história de Thiers. E, o mais surpreendente, uma pessoa disse ter tido vontade de provar sakiah.
Achei muito legal.
É através desse retorno que a gente consegue mensurar como a história que a gente escreveu consegue tocar o outro. E aquela história imaginada, que eu sonhava sozinho, vai se tornando pouco a pouco um sonho coletivo.
Isso não tem preço.

Blog: Peregrino já pousou em vários blogs literários e em muitas noticias por ai. Como é o acompanhamento desses vôos de Peregrino?

Marcos: Muito positivo. Em sua maioria, de 5 estrelas o livro tem recebido 4. Duas vezes recebeu 3 estrelas, mas, pelo que me disseram, se deu muito mais pelos erros que, infelizmente essa edição apresentou do que por não terem apreciado a história.
Dois deles chegaram a dizer que Peregrino estava entre os melhores livros lidos no ano passado.
Para um autor iniciante, nada poderia me deixar mais feliz.


***

Segunda parte: 
Projetos, vida social e outros

Blog: Assim como eu, você é grande fã do escritor Raphael Draccon, autor da trilogia Dragões de Éter. Como foi ter dois textos seus no pódio final do concurso de contos?

Marcos: Fiquei satisfeito é claro. Mas, para mim, o mais importante não foi nem ter conseguido ficar entre os cinco, pois havia textos que não estavam lá e que eu considerava, inclusive, melhores que o meu.  O melhor foi poder ter a oportunidade de conversar com o Draccon e saber um pouco mais de sua trajetória e receber dicas que me permitiram melhorar ainda mais a minha escrita. Raphael é uma pessoa sem igual.

Blog: Você escreveu alguns contos e o que mais me emocionou foi Refúgio. Conte-nos um pouco sobre ele e sobre essas criações.

Marcos: Eu escrevi em um dia em que estava chateado porque estava havendo uma série de dificuldades para o lançamento do meu livro. Estava chateado e queria escrever para treinar meu texto dramático. Então, procurei retratar a forma como o personagem lidava com a tristeza e a solidão.
Ele gostava delas.
Me deu muita satisfação em escrever esse conto. Ainda mais do retorno das pessoas. Mas, depois dele, não tive mais idéias para outros contos.
Aceito sugestões. Risos.

Blog: Como é dividir seu tempo para trabalhar, escrever e dedicar-se a família?

Marcos: Não é fácil. Ainda mais porque meu trabalho exige que eu viaje constantemente. Há momentos que quero escrever e estou cansado. Outros que gostaria de poder curtir mais a família, como agora que meu filho nasceu e me sinto na obrigação de terminar a revisão para segunda edição de Peregrino. Meu grande desafio e conseguir fazer uma rotina para conciliar tudo isso.

Blog: Seu próximo projeto já foi finalizado. Pretende publicá-lo ainda esse ano?

Marcos: Gostaria, mas duvido muito que o faça. As editoras estão com sua programação de publicação para esse ano fechada. Além disso, há todo o prazo de avaliação que, normalmente, leva algo em torno de 4 a 6 meses. Caso seja aprovado, aí terá que entrar na programação de publicação...


Blog: Deixe algum recado para os leitores do blog e os fãs de Peregrino.

Marcos: Espero que tenham gostado dessa entrevista e, quem sabe, tenha ajudado a entender um pouco mais do universo de Peregrino. Aqueles que ainda não puderam conhecer esse livro, convido-os o conhecerem. Estarei à disposição se quiserem compartilhar a experiência.
Convido-os, também a visitar meu blog para conhecerem os outros trabalhos.
Agradeço a você, Moisés, pela oportunidade e gostaria de parabenizá-lo pela construção que tem feito deste espaço. Espero que mais e mais leitores possam usufruir das informações que tem nos agraciado e, espero, que em breve possamos conhecer o livro que dá nome a esse blog. Que “A Profecia de Leslienth” se torne uma realidade não só para você, mas para todos nós, seus leitores.

Grande Abraço


Blog: Gostaria de agradecer pela participação dessa entrevista e por ter compartilhado com os leitores do blog um pouco de sua experiência e trajetória como escritor.
Parabéns pelo excelente trabalho que foi Peregrino e que seu próximo livro seja tão bom quanto.


***

É isso aí pessoal. Mais uma entrevista concluída pelo blog pra vocês.

Agora, queremos saber de vocês. Já conheciam Peregrino? Já leu?

O que você achou?

Compartilhe conosco sua experiência. Comente!

Abraço a todos!



2 comentários:

  1. Ótima entrevista, Marcos, parabéns! Gosto também do diferencial do Blog, que separa a entrevista em duas partes, o que acaba por nos fazer conhecer bem melhor os escritores participantes.

    Moisés, sucesso com o Blog!

    Abraços!!!

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  2. Obrigado Thiago.
    GOsto de separa a entrevista em duas partes. Além de dar um novo fôlego na leitura, ajuda na organização e divisão das idéias e assuntos abordados.

    Abraço!

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