quinta-feira, 16 de junho de 2016

[RESENHA] Clichê – Carol Dias




INFORMAÇÕES:
ISBN-10: 8568925170
Ano: 2015 / Páginas: 282
Idioma: português
Editora: Ler Editorial
Gênero: Romance
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SINOPSE:
Marina Duarte está no vermelho. Dona de dupla graduação nas melhores faculdades públicas do Rio de Janeiro, seu sonho de construir a vida nos States não está funcionando.
Decidiu se mudar para ficar perto da tia, sua única família, mas a crise não está ajudando em nada sua carreira.
Sem saber como pagar as contas do próximo mês, Marina aceita uma vaga de babá na mansão da família Manning. Ela só não podia imaginar que sua vida mudaria completamente, apenas por conhecer duas crianças e um chefe viúvo e gato, maravilhoso, cheiroso e gostoso , que precisa urgentemente de sua ajuda

SOBRE A AUTORA:
Carol Dias não sabe quando começou a escrever, mas passou a levar a sério em 2010, quando conheceu o mundo das histórias online. Desde então, vem trabalhando sua escrita e já conta com 32 histórias publicadas na internet. É dona de um site de histórias baseadas em ídolos, onde postou a primeira versão de Clichê. A história foi uma das mais lidas do site desde sua estreia e isso deu a ela confiança para transformar a história em um livro. Estudante de Propaganda e Marketing e moradora do Rio de Janeiro, Carol tem apenas 20 anos


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O que esperar de um livro que o seu próprio nome já revela que não há nada de novo dentro dele?
Foi essa pergunta que eu fiz ao me deparar com Clichê de Carol Dias.
Nós já estamos acostumados a ver clichês em tudo quanto é história, alguns nos agradam, outros nem tanto. Mas quando é que o clichê emoldura uma história sem torná-la cansativa e desinteressante?
É o que vamos explanar na resenha de hoje.

Porque lemos livros? Já se fez essa pergunta?
Alguns podem dizer que é para viver situações as quais não podemos vivenciar em nossa realidade. Outros tantos afirmam que as emoções que vivemos nos livros nos ajudam a moldar nossa forma de pensar e agir. Há ainda aqueles que usam os livros para fugir da realidade, muitas vezes chata, em que se encontram.
Segundo o dicionário informal, Clichê significa:

Uma expressão idiomática que de tão utilizada, se torna previsível.
Desgastou-se e perdeu o sentido ou se tornou algo que gera uma reação ruim, algo cansativo em vez de dar o efeito esperado ou simplesmente repetitivo.

O que se pensar então sobre um livro cujo próprio título já anuncia que será algo repetitivo?

Mesmo me indagando dessa maneira, comecei a ler o Clichê da Carol Dias.

O Plot da história é sobre Marina, uma garota formada em música por duas universidades públicas aqui do Brasil, que vai tentar a vida nos Estados Unidos.
Chegando lá, suas duas faculdades de nada servem e ela acaba sendo obrigada a aceitar um emprego de babá para se sustentar. Ser babá na casa de um milionário, sarado e lindo; um verdadeiro sonho de consumo de qualquer mulher. E quer mais clichê? Ela se apaixona por ele.

Agora, vamos começar nossa análise: o que torna esse “Clichê” especial?
Embora o livro Clichê esteja “repleto de clichês”, veremos que ele traz muito mais do que isso, e o clichê se torna plano de fundo na história que Carol desenvolve.

Marina é o alter ego de milhares de pessoas. Quem não sonha em um dia ir para os Estados Unidos a fim de recomeçar? Carol começa a trabalhar sua personagem de forma simples, mas com muita realidade.

É impressionante como muitos livros de hoje são carregados de personagens femininas que não possuem nenhum conteúdo. São totalmente dependentes de seus homens e bancam em peso o sexo frágil.  Marina não tem nada disso. Não é uma mulher insegura, dependente ou sem atitude. Pelo contrário, ela é batalhadora, convicta e cheia de esperanças.

O PLOT inicial consegue ter um andamento desejável e ganha o leitor logo nas primeiras páginas. Mas espera aí, não era Clichê? Chato? E sem novidades?

Não! Carol conseguiu provar que podemos desenvolver um clichê inovador.
Contraditório?
Talvez, mas é isso mesmo. Ela dosa clichê com realidade e dinamismo em sua escrita, trazendo um ritmo gostoso à narrativa.

Sr. Manning (O chefe gostoso, saradão e lindo; lembra?). Ao contrário daqueles pais empresários do Uper East Side, que só sabem trabalhar e deixam a vida dos filhos 100% nas mãos de babás, ele é atencioso com os filhos e possui um arquétipo muito bem desenvolvido.

Nessa hora nos deparamos com uma situação tensa, cheia de conflitos e o tempero extra no prato principal de Carol. A família do Sr. Manning está em ruínas. Ele perdeu a mulher há três meses, os filhos se fecharam e toda a mansão vive um constante réquiem, dia-após-dia.

Marina chega àquela realidade e se vê obrigada a encarar problemas reais, que já aconteceram com muitos de nós e que geralmente, só são retratados em histórias de dramas.
Mas o que um Plot desses está fazendo em um chick-Lit cujo título é Clichê?

É essa a cereja do bolo, baby!

A partir desse princípio, Carol passa a desenvolver suas personagens, envolvendo-as nas tramas psicológicas que rodeiam a família, e nos traz uma verdadeira lição de como romper barreiras, enfrentar problemas e superá-los.

As personagens crianças tomam praticamente conta da história. Carol consegue trazê-los para tão perto, que cativam e ganham o leitor. Eles possuem seus próprios dramas. O maior sofre com a perda da mãe, enquanto a menor não possui tanta certeza do que é a morte e vê em Marina o suprimento da necessidade de uma figura materna. Mas ambos sentem na pele a ausência, e não há nessa vida outra forma, melhor ou mais cruel, de aprender o que é Morte.

Através da Música (Marina é musicista), Carol trabalha seu enredo de uma forma especial, leve e descontraída, mesmo os arcabouços do Plot sendo pesados.

Esse é o diferencial do “Clichê” de Carol Dias. É um chick-Lit com direito a tudo que é bom em uma história dramática.

Agora, vamos para a avaliação do livro?



CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:
Notas individuais de cada repartição de 0 à 1

a) Arte da capa:

A capa é um doce, traz a essência de qualquer Chick-Lit. Mas se mostra muito fechada e não consegue ser expansiva pelo plano dualístico que se compõe. A montagem foi muito bem feita e a combinação do contraste das cores faz seu papel de ser convidativo.

b) Trama:

 A trama de Carol é bem tecida, envolta a um Plot tenso, e que traz questões de reflexão muito fortes como a Morte, individualidade, arrogância, companheirismo e fé. O andamento da leitura é bem dinâmico e os underplots abertos são bem trabalhados.
O que faltou na obra de Carol foi acrescentar pequenos pontos de tensão em situações pontuais da história. Os Plots-Twits nascem e morrem rapidamente.
Sabe aquela cereja que eu mencionei antes? Então, poderia ter umas três em cima do bolo.
  

c) Caracterização dos personagens:
   
Carol tece sua história com personagens bem feitos, condizentes a idade que os diz respeito. Mas, talvez para alguns leitores, isso pode afastar a identificação com alguns deles. Principalmente com as crianças. Ao mesmo tempo em que elas nos encantam (me encantou por gostar MUITO de crianças), algumas atitudes podem não agradar a todos. É um tiro no escuro e vai da apreciação de cada um, mas isso não quer dizer em momento algum que os personagens são fracos.


d) Qualidade do livro (papel, letra, erros e etc.):

A qualidade que a Ler Editorial empregou nessa primeira edição de Clichê está muito boa. Folhas amareladas, diagramação fofa e uma boa revisão fazem os pontos subirem. O livro não é fininho e nem grosso, mas do tamanho certo, que nos permite levar para onde quisermos sem muito esforço.


e) Comparação com outras obras do gênero:

Clichê, se comparado a outras obras do gênero que fizeram sucesso nesse ano, não fica nem um pouco para trás. Envolvente e tranquilo, não importa a faixa etária ou se você é homem ou mulher, é um ótimo livro para se ler no início da manhã ou mesmo naquelas tardes chuvosas dos dias preguiçosos.

NOTA: 4,1



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