sábado, 9 de março de 2013

Resenha – A Menina que Navegou ao Reino Encantado (No Barco Que Ela Mesma Fez)


Faaala cambada! Como vamos?

Como dá pra ver, eu ainda estou transbordando de energia, acho que isso tem a ver com a comida de minha mãe. Ou então com este livro que acabei de ler.

Deixem-me apresentar A Menina que Navegou ao Reino Encantado.



Setembro é uma menina que tem uma vida um tanto chata e meio triste. Seu pai está na guerra e sua mãe trabalha numa fábrica de motores o dia inteiro, de modo que Setembro passa boa parte do dia sozinha fazendo as tarefas de casa... Seja como for, o livro começa desse jeito:


“Era uma vez uma menina chamada Setembro que ficou totalmente enjoada de sua casa (...). Por que ela tinha nascido em Maio e por ter uma verruga na bochecha esquerda e pés muito grandes e sem graça, o Vento Verde ficou com pena dela e, num final de tarde, voou para a sua janela, logo depois de seu aniversário de doze anos.”

Então Setembro, sem pensar duas vezes, aceita ser arrebatada pelo Vento Verde, sobe na garupa do Leopardo das Pequenas Brisas e parte para o Reino Encantado.
A historia que começa assim se desenrola contando as aventuras de Setembro no Reino Encantado, um lugar cheio de peculiaridades e das coisas mais estranhas possíveis.

O livro é escrito em terceira pessoa, mas mostra exatamente a visão de Setembro das coisas, inclusive usando o tipo de linguagem que uma menina de 12 anos que adora aventuras e se esforça para parecer mal-humorada usaria. Uma coisa bem legal é que Setembro não conhece o Reino Encantado, assim como nós leitores. Então quando ela chega lá ela é tratada com condescendência ou arrogância por não saber de nada. E assim o Reino Encantado vai sendo apresentado para Setembro e para nós ao mesmo tempo. Mas o tempo todo se tem a impressão de que tudo é muito obvio. Como a gente pode viver sem saber disso?

Em alguns momentos a Narradora aparece no texto, mostrando outras cenas ou explicando coisas, o que é uma vantagem em relação a Setembro que não sabe absolutamente nada, coitada... Mas, mesmo quando Catherynne M. Valente (a autora) toma a atenção para si, ela brinca com o fato de ser onipotente e de poder contar o que quiser, já que a historia é sua. Ela faz isso de maneira tão suave que tudo flui. É tudo muito natural e agradável. Catherynne M. Valente consegue cativar pela sua forma simples e natural de narrar, você não se cansa em nenhum momento.

Por outro lado a historia de Setembro não tem pausa nem descanso. É uma aventura atrás da outra e a menina só tem tempo para respirar nas horas que envolvem alguma comida.

Os personagens do livro são todos estranhos, diferentes. Até seus nomes são diferentes, eles variam entre Setembro, Sábado, A até L, Até Logo, Vento Verde, Sr. Mapa... Todos os nomes são assim incomuns, assim como os personagens são incomuns. Mas de algum jeito todos acabam cativando de algum jeito. Com suas excentricidades e simplicidade. Até a Vilã da historia, que é má o tempo todo, acabou me cativando. Eu posso dizer que fui arrebatado junto com Setembro.  Os personagens cheios de peculiaridades e características diferentes, os cenários mais loucos ainda, que só um Reino Encantado poderia ter. Dá pra imaginar tudo. Percebi que toda vez que abria o livro tinha um sorriso involuntário nos cantos da boca.

Bem, só o que contei até agora já seria o bastante pra mostrar que o livro é bom. Mais uma coisa é que, logo na capa, tem uma citação em que Neil Gaiman diz assim: “Uma historia feita com coração e sabedoria”. Mas eu deixei o melhor pro final. Deixe-me mostrar as coisas que mais gostei no livro.

- Todo capítulo tem ilustrações lindas feitas por Ana Juan.


- Falando de capítulos, os títulos também são diferentes. Todos eles têm o titulo do capitulo e um subtítulo que aguça (e muito) a curiosidade. Então além de ficar empolgado com a historia, você não consegue largar do livro porque a cada novo capitulo, a pequena frase que fica embaixo do titulo te deixa quase desesperado pra saber o que vai acontecer.


- A melhor parte de todas é que o livro consegue ser simples, mas dar lições importantes. Ele é cheio de alegorias, metáforas e frases que conseguem mexer com o coração. Ou seja, Catherynne M. Valente consegue reproduzir o efeito que a crianças tem sobre o mundo. Ensinando as maiores lições de forma simples e despretensiosa. Separei um trecho, olha só:

“(...) não se deve julga-la, nenhuma criança tem coração (...) e é por isso que podem subir em árvores altas, dizer coisas chocantes e pular tão alto (...). Os corações pesam muito. É porque eles levam muito tempo para ser cultivados. Mas, como acontece com a leitura, a matemática e o desenho, crianças diferentes avançam em velocidades diferentes. (É sabido que a leitura é o que mais acelera o crescimento de um coração).”



Tem vários outros trechos que são bem assim. Mas isso você vai ter que descobrir sozinho. Suba no Leopardo das Brisas Leves e descubra o Reino Encantado.
=D

Bem, vamos aos



Critérios de Avaliação

a) Arte da Capa: É uma brochura como a maioria dos livros que saem aqui no Brasil. Mas tem uma ilustração muito legal feita pela Ana Juan e adaptada pela Simone Villas Boas. A ilustração é emoldurada pelo titulo que é um tanto grande, mas a arte está em perfeito equilíbrio, de modo que a capa não fica poluída e chama atenção. As orelhas e as lombadas também tem uma moldura, oque, junto com a cor vermelha e a textura do fundo, dá uma impressão de capa dura, como aqueles livros enormes de contos de fada.

b) Trama: A historia é cheia de aventura e emoção. Setembro não fica parada um momento sequer. O final da historia é realmente surpreendente, eu imaginei quase todas as hipóteses, menos o que acontece de verdade. A autora também deixa bastante espaço para novas aventuras, então você fica com um gostinho de quero mais.

c) Caracterização dos Personagens: Como já disse, todos são bem diferentes e peculiares, é divertido conhecer eles. As suas roupas, trejeitos e características também são ótimas de imaginar.

d) Qualidade do Livro (papel, letra, erros, etc.): Sim, esse livro tem colofão¹!  \o/ .O papel é pólen, aquele amarelado e poroso que é bem levinho. É ótimo de pegar, fácil de virar as paginas e não pesa nada. A tipografia não tem serifa², mas tem equilíbrio, boa proporção e um bom espaçamento. Então dá pra ler sem cansar.

e) Comparação com outras obras do Gênero: Sobre o gênero, imagino que esse seja um clássico de fantasia. Mas, como disseram as pessoas importantes que são citadas na orelha do livro, essa é uma história que alcança qualquer pessoa de qualquer idade. É um achado que tem a audácia de se comparar com O Mágico de OZ e Alice no País das Maravilhas.

Nota: 5




1 - Colofão é um pequeno paragrafo que fica na ultima pagina do livro. Ele geralmente mostra termos técnicos, como o tipo de papel, a tipografia usada, onde foi impresso e para que editora.

2 – Serifa é aquele rabinho que algumas famílias tipográficas têm. Ele dá uma impressão de chão e direciona o olhar de uma letra pra outra, facilitando a leitura.



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Resenha – A Menina que Navegou ao Reino Encantado (No Barco Que Ela Mesma Fez) de Jau Santoli é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
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Um comentário:

  1. Gostei muito da sua resenha, e da outra capa <3

    também fiz uma em meu blog: http://donnaflaviaa.blogspot.com.br/2013/03/a-menina-que-navegou-ao-reino-encantado.html

    Aguardo seu comentário!

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