quinta-feira, 11 de abril de 2013

Sobre ilustrações...


Olá, cambada bonita!

Tudo em ordem? Espero que sim! 

O que vocês acham de livros que trazem ilustrações? Consideram que é um atrativo? Ou acham que estraga um pouco a parte imaginativa da estória, pois já traz imagens prontas do enredo? Gostam de apreciar uma ilustração bem-feita ou não curtem muito? Ou, ainda, pra você esse assunto não fede e nem cheira, já que o importante é ler e se tiver desenho também está tudo certo? É sobre esse assunto que falarei na postagem de hoje. Vamos lá?


Eu, particularmente, nunca tinha parado pra pensar a respeito até que assisti a uma palestra de Scott Westerfeld, autor da série “Os Feios”. Na época da palestra, ele tinha vindo ao Brasil para o lançamento de uma outra série que estava escrevendo, cujo primeiro volume se chama “Leviatã: A Missão Secreta”. Neste livro, cada capítulo tem uma ilustração que o caracteriza. Foi uma parceria que o autor realizou com um ilustrador.

Scott contou que algumas das ilustrações feitas, às vezes, iam para além do que era descrito no enredo da estória. Isso acontecia porque o ilustrador se empolgava tanto que colocava uma pitada de imaginação própria e adicionava certos elementos que Scott nem tinha parado para pensar sobre. Ou, ainda, alterava algumas ilustrações que o autor tinha proposto de desenhar e isso ajudava muito a compor novos rumos para como a trama seguiria. 
Ilustração de Marc Simonetti para a série "Dragões de Éter"

Eis aí um exemplo de que uma estória pode ser construída de diferentes formas. Por vezes, o ato de escrever é um percurso um pouco solitário, pois o escritor se propõe a ficar na frente do computador, caderno, guardanapo (ou o que for), e traduzir em palavras aquele mundo de estórias que imaginou dentro de si. No caso de Scott, além dessa parte mais solitária... também pôde trabalhar em conjunto com um outro tipo de linguagem: a da imagem. Não vou me detalhar muito nesse assunto do processo da escrita, pois cada um tem o seu, não é mesmo?

Eu sou o tipo de pessoa que imagina pouco em relação à aparência das personagens, aos cenários e outros elementos visuais que um livro pode evocar. Não sei explicar muito bem, mas a minha imaginação se foca muito mais na movimentação da trama e nos diálogos entre personagens do que na caracterização de cenários e de personagens em si. No entanto, existem alguns livros que fazem minha mente imaginar as coisas para além da trama, me fazem conseguir visualizar o cenário sem que eu precise me esforçar. E esses são realmente especiais.

Por isso, gosto muito quando leio um livro com ilustrações (bem-feitas, diga-se de passagem). Elas dão um certo tempero e me transportam para o jeito como o autor imagina o seu mundo. Não deixam também de ser um respiro para o andamento do enredo, além de trazer um prazer especial em apreciar o estilo de desenho do ilustrador. 

Às vezes, fica difícil imaginar um cenário descrito pelo autor e se, na página seguinte, ele mostrar um desenho do mesmo, facilita na hora de compreender a descrição. Em outras, um desenho até mostra uma maneira diferente de nós imaginarmos as coisas. Por exemplo, se estou acostumada a pensar uma floresta como aquelas que aparecem no filme de “O Senhor dos Anéis”, quando me aparece uma ilustração de outra forma, não deixa de ser um novo aprendizado e alimento para meu cérebro. Uma nova forma de se pensar as coisas.

Tem pessoas cuja imaginação visual é bem fértil e adoram viajar nas imagens mentais; talvez estas não simpatizem tanto com livros ilustrados. Quem sabe? Acho que ter uma ilustração pode acabar estragando metade da graça ao se ler uma estória: que é o poder de imaginar como você quer cada elemento que a compõe. Mas, ao mesmo tempo, acho que pode enriquecer também... vai depender de cada um. Além do mais, cada um imagina como quer; tem personagens que são descritos como loiros e eu os imagino como morenos... o que se pode fazer, né?

Há ainda livros cujos desenhos são essenciais na composição da estória, pois sem eles a trama não se desenvolveria. Um exemplo é “A invenção de Hugo Cabret”, de Brian Selznick. O livro divide espaço entre palavras-escritas e palavras-imagens. Ele é bem lindo de se ver, recomendo para quem tiver curiosidade! 

A seguir vou colocar alguns dos livros ilustrados que já li, vejam só:

- Leviatã: A Missão Secreta (Scott Westerfeld):




- A Árvore dos Desejos (William Faulkner): 






- A Invenção de Hugo Cabret (Brian Selznick):






- Meu Tio (Jean-Claude Carrière):





















A Menina que Navegou ao Reino Encantado (no barco que ela mesma fez) - Catherynne M. Valente:
   - Confiram a resenha dele AQUI.





- A Maldição da Pedra (Cornelia Funke):







Enfim, é isso galera! O que acharam? 
Quero muito ler as opiniões de vocês sobre o assunto. Ah! E se quiserem que eu escreva sobre algum tema em específico, comentem aí que farei o possível. 

Espero que tenham gostado. 
Nos vemos na próxima!


Licença Creative Commons
Sobre ilustrações... de Carolina Feng é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.
Baseado no trabalho em edensaga.blogspot.com.br.

Um comentário:

  1. Eu adoro livros ilustrados, Carol! Assim como você, não me preocupo tanto em dar rostos aos personagens quanto em acompanhar seus passos, por isso as imagens são sempre bem vindas. Entre os ilustrados que eu mais amo estão os livros do Neil Gaiman com Dave McKean. Coraline É AMOR.

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