sábado, 15 de setembro de 2012

[RESENHA] A Esperança


(pode conter spoilers)

Finalmente terminei A ESPERANÇA. Tenho que dizer: me surpreendi.

Aconteceu assim:

Comecei a ler A ESPERANÇA assim que acabei com EM CHAMAS. Eu estava todo ansioso, louco para saber o que aconteceria em seguida, muito empolgado com o livro que tinha acabado de ler e que eu realmente gostara (resenha aqui). Tanto foi a minha ânsia que li o livro em três dias – Atentem para o detalhe de que eu só tenho tempo para ler enquanto estou no trem indo para o trabalho.

Pois bem, quando eu terminei de ler o livro precisei de mais alguns minutos para me recompor e entender que a historia tinha realmente acabado. Suzanne Collins conseguiu me deixar surpreso, sem reação. Eu não sei muito bem pra que público ela escreveu esse ultimo livro, mas, o “infanto” que leu A ESPERANÇA deixou de ser lá muito “juvenil”...

O livro é o mais forte e maduro dos três. A trama tem suspense, ação, momentos de tensão e até mesmo de loucura.



Katniss começa a jornada como uma refugiada, lutando contra ferimentos no corpo e na mente. Ela precisa tomar o seu lugar na rebelião contra a Capital, precisa ser O Tordo. O símbolo da Revolução que consegue juntar todos os distritos na luta contra a opressão do Presidente Snow. Mas ela não sabe se quer bem isso e Peeta está nas mãos da Capital. A historia se desenrola cheia de reviravoltas e momentos de tensão. Pela primeira vez não há um limite claro entre as partes da historia. Os pontos de virada são sempre fortes e a guerra acontece enquanto Katniss tem que lidar com seus próprios pensamentos e perceber a sua influencia.
Essa é uma das coisas que achei diferente no livro. Katniss tem um papel muito mais simbólico na Rebelião do que momentos de ação e heroísmo de fato. Foi interessante em “EM CHAMAS” o fato de que os Rebeldes já existiam e Katniss foi percebendo a guerra. Porém em A ESPERANÇA, Katniss mais percebe o poder de sua influencia do que participa da guerra. Eu gostaria que ela tivesse uma participação mais ativa nas batalhas.


O livro, na realidade, não carece muito de ação. Tem boas cenas misturadas aos momentos de calmaria na historia. Porem há situações que eu gostaria muito de ver narradas, como o resgate de Peeta, por exemplo. A parte do clímax, quando Katniss entra na Capital, para mim foi muito boa, pra falar a verdade. Teve todos os elementos de fuga e sacrifício que a gente sempre espera de historias com heróis que estão invadindo o território do vilão para dar um fim à trama. Mas, o final foi surpreendente.
Acho que Suzanne Collins ousou muito com o final que ela deu a saga. Acho que ela foi muitíssimo realista. Gostei da ousadia e do jeito que ela abordou as consequências da guerra.

Mas eu sou um leitor comum.



Gosto de quando os heróis passam pelo diabo e conseguem sair ilesos de tudo no final. Pra ser sincero eu preferia que alguns personagens tivessem morrido a ter o fim que tiveram. E outros eu achei mais que desnecessária a morte. Não vou mentir que para mim faltou um pouco de indulgencia com os destinos dos personagens. Sei lá. Acho que eu meio que me assustei porque Suzanne sempre foi um pouco piedosa com os personagens nos dois outros livros. Como por exemplo, o ouvido e perna “novos” de Katniss e Peeta no livro um. Nesse último livro não há piedade, não há condescendência, só a realidade do que a guerra pode fazer. Eu não estava preparado para isso.

Se os outros livros fossem um pouco mais pesados nesse quesito eu estaria muito bem. Mas os outros livros foram bastante “leves” enquanto “A Esperança” carregou toda a crueldade da saga. Não foi ruim, veja bem, só foi inesperado. De qualquer maneira eu acho que o livro dá um ótimo fechamento para a saga. Digno de milhares de fãs e da realidade de Panem.

Sobre o romance eu, apesar de não ser desses que se derretem, não gostei muito do jeito que as coisas se resolveram. Pra mim ela podia decidir de algum outro jeito que não envolvesse uma tragédia daquele tamanho, ou um dos dois podia simplesmente morrer. De qualquer maneira a conotação de amor construído e parceria que Suzanne mostra é diferente da paixão avassaladora que a maioria das historias tem. Isso foi mesmo admirável.

Eu gostei muito de como o livro trata dos traumas, da loucura, da felicidade e da esperança. Como já disse é um fim perfeito para a Saga. Gostei também do ritmo da historia, alternando entre momentos de ação, momentos de tensão, momentos psicológicos e outros de relativa calmaria que dão um tempo para o leitor respirar.






Pesando tudo é um bom livro. Eu li e gostei.

Então vamos aos

Critérios de avaliação:

a)  Arte da capa: Segue o padrão da saga, com a pequena diferença de que nesse livro o alvo que mira o tordo está quebrado. A realidade é que não gostei muito de nenhuma das capas da saga. Elas são simples, o que não é ruim na maioria dos casos. Porém nesse caso específico eu não gostei, é como se faltasse algo. O vazio da capa tem contraste com a tipografia bastonada, pesada e em caixa alta. A margem do titulo é muito pequena, o que, junto com o visual da fonte dá a impressão de sufocamento, como se o espaço fosse pequeno demais para as letras. O nome da autora e da editora obedecem a outra margem, ficando desalinhados. Enfim... Não gostei muito da capa.

b) Trama: Em A Esperança a trama é cheia de tensão e reviravoltas. Tem momentos de calmaria, pressão e ação. Está menos organizada do que nos outros dois livros da serie, mas não deixa de ser boa por isso.

c) Caracterização de personagens:  Esse ultimo livro traça os perfis psicológicos e a maneira como os personagens reagem aos acontecimentos de forma muito realista, madura. Os personagens são sempre complexos (inclusive os “cabeças ocas”). Apesar de vermos os outros personagens pelos olhos de Katniss, dá pra perceber que estão bem estruturados.

d) Qualidade do livro (papel, letra, erros e etc):  O livro tem as paginas porosas, e com a gramatura não muito grande. A capa é brochura, de papel cartão laminado, se bem me lembro... É um material bom que suporta leitores um pouco mais relaxados que costumam dobrar as paginas. Acho que não há problemas com o material em geral.

e) Comparação com outras obras do gênero: Isso é meio difícil de avaliar. Qual é o gênero de Jogos Vorazes afinal? Ação? Romance? Aventura? Fantasia? Eu, sinceramente não consegui encaixar a saga em nenhum grupo a não ser o infanto-juvenil. Nesse caso, A Esperança é um livro um pouco mais pesado, porém que tem destaque.


Nota 4,0


Licença Creative Commons
O trabalho [RESENHA]- A Esperança de Jau Santoli foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença em http://edensaga.blogspot.com.br/.

Um comentário:

  1. Gostei muito da sua resenha. Fala tudo, dando somente as informações necessárias, sem spoilers. Manda muito bem na sua opinião, o que pra mim é a melhor parte em se ler qualquer tipo de texto sobre livros, seja resenha, crítica ou somente comentários (o que me atenho é à opinião). Não foi uma resenha baba-ovo, isso é uma coisa ótima. Então: meus parabéns. =3

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